Inclusão digital é pré-requisito para a vida digital, a qual é uma tendência global e na qual todos estaremos mergulhados num futuro muito próximo. Governos de todo o mundo têm concentrado esforços no desenvolvimento de políticas e definições de padrões em termos de tecnologias da informação e comunicação, comumente chamadas de TIC’s, visando construir uma arquitetura que ofereça suporte a interoperabilidade com o objetivo de munir as pessoas de acesso a informações e serviços. A aplicação das TIC’s visando o provimento de acesso a informações e a serviços é denominada de governo eletrônico (ou governo digital como um conceito mais amplo). Nesse sentido, vale observar que a maioria dos governos visa:
• Oferta de meios de acesso a informações e serviços
• Organização das informações dentro dos órgãos do governo
• Troca de informações entre as várias esferas do governo
• Suporte a interoperabilidade
Embora a disponibilidade das TIC’s seja um requisito, ela por si só não é suficiente. Um pré-requisito é a inclusão social que por sua vez requer renda e educação. Apesar dos esforços e iniciativas do governo brasileiro, suas preocupações e ações estão mais concentradas no aspecto técnico, que compreende as TIC’s. Desde ano passado que temos tomado conhecimento do esforço do governo e, notadamente, o governo federal no sentido de financiar a aquisição um computador portátil com custo estimado de aproximadamente US$ 100,00 ou R$ 230,00. Além disso, é intenção do MEC distribuir o primeiro lote de 1 milhão desses computadores gratuitamente. Esses computadores seria parte do programa nacional de distribuição de livros e material didático aos alunos da rede pública. Observa-se aqui a preocupação do governo em prover parte da população com uma das ferramentas que permite o cidadão ser considerado incluído digitalmente. Entretanto, há também o aspecto social que é essencial a inclusão digital e, conseqüentemente, a vida digital. Como apresentado em http://www.espacoacademico.com.br/040/40amsf.htm, TIC’s não é tudo. É tímida a iniciativa do governo. Gostaria de repetir e alertar o governo que: os três pilares da inclusão digital (http://www.espacoacademico.com.br/024/24amsf.htm) são: TIC’s, renda e educação. Sem esses três pilares, não há inclusão social e, portanto, digital. Para um cidadão ter vida digital, ele antes precisa ser incluído digitalmente. Estamos longe da de ter a população brasileira com vida digital. Segundo dados do IBGE:
• Apenas 11% dos domicílios brasileiros têm acesso a Internet
• Apenas 15% dos domicílios brasileiros têm computadores;
• O estado que dispõe de mais usuários com acesso a Internet é São Paulo e o índice é inferior a 20%.
Isso é muito pouco. Por isso, considero ‘tímida’ as iniciativas que o governo tem feito até agora. Além disso, nesse percentual de domicílios com acesso a Internet, a sua grande maioria faz uso de acesso de linha discada que possui navegação mais lenta, requer uma assinatura que pode ter custo mensal de aproximadamente R$ 25.00. O pior é que além dessa despesa, caso não se faça uso de um provedor gratuito, o usuário terá de arcar com a despesa adicional dos pulsos de ligação telefônica que implica em elevado custo a grande maioria da população. Por outro lado, se o indivíduo optar por uma linha ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), ele poderá desfrutar da Internet 24horas por dia durante os 7 dias da semana com custo médio de aproximadamente R$ 90.00 que compreende quase 1/3 do salário mínimo atual. Isso sem falar da despesa com consumo de energia que resulta num custo adicional mensal de aproximadamente R$ 10,00 (no pior caso, isto é, uso intenso). Agora, vem a pergunta: Pode a imensa maioria da população com a renda atual desfrutar da vida digital? Tenho de ser sincero com vocês e a resposta é não. Quem com renda de R$ 300,00 vai dispor de recursos para ter acesso a Internet, supondo tenha um computador? Quem, com tal renda, terá condições de comprar um computador com configuração mínima de custo aproximado é R$ 1.400,00, que permita uso e acesso da Internet?
Fonte: Revista espaço acadêmico n° 57 - Fevereiro de 2006
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